
De familias para familias
Desde os exames necessários, a interpretação do relatório até à genética de PMS para leigos
Consoante o tipo de deleção ou outra anomalia cromossómica estrutural que envolva a região 22q13 ou se é resultado uma variante patogénica do gene SHANK3 , é necessário realizar mais investigações.
No documento em anexo, encontra de forma simples e estruturada quais os próximos exames que a pessoa afetada ou os seus familiares devem fazer.
Existem vários testes genéticos que podem levar a um diagnóstico de PMS. Aqui abordamos os diferentes testes.
Recorremos ao excelente recurso disponibilizado pela Associação Brasileira, baseado no original da Teresa M. Kohlenberg, MD : “Esta visão geral tem como objetivo tornar os relatórios genéticos mais fáceis de ler para os pais. Ele foi escrito com os pais de crianças com PMS em mente, mas pode ser útil para outras pessoas. Não é um substituto para a consulta com geneticistas ou conselheiros genéticos; em vez disso, foi escrito para ajudar a tornar a conversa com profissionais médicos mais fácil e produtiva#
A Associação Brasileira de PMS tem traduzido vários artigos de Andrew Mitz, um neurocientista empenhado em informar as famílias sobre a Síndrome de Phelan-McDermid. Mitz, motivado pela condição do seu filho David, dedica-se a partilhar conhecimentos de maneira clara e acessível, contribuindo significativamente para o o avanço da compreensão da síndrome.
“Thank you for providing the science behind the missing genes and genetic abnormalities in an understandable form.” – Jessica Alves
Caracteristicas sobre a síndrome
A síndrome de Phelan-McDermid (PMS) é uma condição genética rara causada por uma haploinsuficiência do Gene SHANK3 devido a uma deleção ou outra anomalia estrutural do cromossoma 22 na região 22q13, ou uma mutação patogénica do gene.
A proteína codificada pelo gene SHANK3 atua nas sinapses, funcionando como uma estrutura de suporte que ajuda as células nervosas, ou neurónios, a comunicarem-se entre si. Essa comunicação é necessária para funções cerebrais como a aprendizagem, a memória e as interações sociais, bem como para os sinais que o cérebro envia ao resto do corpo, para funções como caminhar.
A síndrome de Phelan-McDermid pode apresentar um amplo espectro de sintomas com diferentes graus de severidade no neurodesenvolvimento, assim como manifestações sistémicas, incluindo um atraso global do desenvolvimento (AGD), perturbação do desenvolvimento intelectual (PDI), atraso ou ausência de fala, perturbação do espectro do autismo (PEA), hipotonia, epilepsia, defeitos cardíacos congénitos, distúrbios gastrointestinais, malformações urogenitais.
DA prevalência estimada é de 1:15.000 com base nos 2% da população com PEA com impacto intelectual atribuídos a esta síndrome, no entanto devido à dificuldade de deteção precoce em Portugal temos ± 50 famílias diagnosticadas (1:250.000).
…a caminho
Regressão, é certamente uma das palavras mais temidasentre a comunidade da Síndrome de Phelan-McDermid (PMS), não sendo ainda claro, o quão comum pode ser. Vários investigadores começam a estudar a sua frequência e impacto (Ver artigo). Independentemente disso, quando a regressão acontece pode ser imprevisível e, por vezes, pode ser devastadora.
As pessoas com variantes do gene SHANK3 (“mutações”) e pequenas deleções cromossómicas representam uma pequena minoria dos casos identificados de Síndrome de Phelan-McDermid (PMS). Em geral, essas pessoas apresentam um nível de funcionalidade superior aos outros pacientes com PMS, incluindo melhor desempenho intelectual, habilidades linguísticas mais desenvolvidas e melhores capacidades motoras. Esta minoria é a que mais frequentemente pode vir a apresentar problemas psiquiátricos, normalmente associados a episódios de regressões, onde são perdidos conhecimentos anteriomente adquiridos.
Uma regressão, em regra, produz uma descompensação psiquiátrica, perda de habilidades e uma mudança comportamental súbita.
Se não intervencionada de forma adequada, pode conduzir a um estado de catatonia e começam a ser reportados casos de jovens adultos que faleceram em resultado de complicações dai resultantes.
Existem diversas especialidades em que é necessário avaliar e acompanhar as pessoas afetadas pela síndrome. Com base nos guideliness internacionais sobre PMS, foi elaborada a seguinte infografia, que permite de uma forma visual entender a que é necessário estar atentos.
A Descrição no Orphanet, é ainda A síndrome da monossomia 22q13.3 (síndrome da deleção 22q13.3 ou síndrome de Phelan-McDermid) é uma síndrome de microdeleção cromossómica caracterizada por hipotonia neonatal, atraso global do desenvolvimento, crescimento normal a acelerado, fala ausente a gravemente atrasada e características dismórficas menores.
No núcleo de cada uma das nossas células, pode encontrar-se o ADN enovelado na forma de cromossomas. Em cada cromossoma existe um ponto chamado “centrómero”, que o divide em duas porções, chamadas de “braços”. O braço curto é chamado de braço “p” e o braço longo é chamado de braço “q”. Cada cromossoma contém vários genes, e a localização de cada gene é dada em relação ao centrómero. Por exemplo, o gene SHANK3 com um papel princial na Síndrome de Phelan-McDermid, é encontrado na posição 22q13.33. Ou seja, está localizado no braço longo (q) do cromossoma 22, na posição 13.33 na extermidade do mesmo.

Tabela abaixo encontra as características mais comuns referidas na literatura.
| Muito frequentes (>70%) | Frequentes (>35% e <70%) | Pouco frequentes (<35 %) |
|---|---|---|
| Hipotonia Alta tolerância à dor Distúrbios do sono Perturbação do espectro do autismo Atraso ou ausência de fala Atraso cognitivo moderado a grave Coordenação fina pobre | Anomalias cerebrais Convulsões / Epilepsia Déficit de atenção Morder objetos não comestíveis Diarreia/obstipação Infeções respiratórias Articulações laxas | Refluxo gastroesofágico Descompensações neuropsiquiátricas Catatonia Encefalite autoimune Anomalias renais Problemas de controlo de esfíncteres Doenças endócrinas |
Associados ao tamanho da delecção e ao impacto em cada pessoa afetada, podem ser observadas distintas comorbilidades:
Quistos aracnóides, dilatação ligeira dos ventrículos cerebrais, otite média recorrente, subluxação da anca, refluxo vesicoureteral, estrabismo, linfedema, sudorese reduzida com tendência ao sobreaquecimento, hipotiroidismo; problemas gastrointestinais: diarreia crónica ou obstipação, , dificuldades de alimentação no período neonatal.
Dismorfias menores como crescimento acelerado ou anormal, pestanas longas, pálpebras tumefactas, ponta do nariz bulbosa, orelhas proeminentes ou displásicas, mãos carnudas, unhas dos pés displásicas e sindactilia dos dedos dos pés podem também estar presentes.
Não há cura ou tratamento específico para esta síndrome. No entanto, existem terapias que ajudam a aliviar os efeitos na vida quotidiana e a melhorar a qualidade de vida. As palavras de ordem são resiliência e presumir competência.
Face às prioridades de cada criança devem ser estabelecidos planos terapêuticos que permitam atingir ou maximizar a autonomia, socialização e aprendizagem.
Promover o uso da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA).
Em caso de hipotonia investir na fisioterapia e outras terapias físicas, como massagem infantil, hidroterapia, hipoterapia. Mostrou-se eficaz em crianças mais novas a terapia comportamental ABA, cujo fundamento se baseia na adaptação de comportamentos, através de reforço positivo, aprendizagem por modelo e análise de tarefas, bem como a terapia ocupacional com integração sensorial como o Método Padovan de reorganização neurofuncional.
Em caso de distúrbios gastrointestinais o funcionamento celular pode estar comprometido devido à ausência ou alteração de genes. A suplementação alimentar e uma dieta dirigida (sem glúten e lácteos) podem auxiliar a otimizar o funcionamento celular.
Para os casos mais graves de gestão do défice de atenção, epilepsia, hiperatividade e impulsividade nas pessoas afetadas podem ser seguidas algumas recomendações farmacológicas especificas para a síndrome (https://pmsf.org/neuropsych/).